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Relacionamento Abusivo: Como identificar e sair dessa prisão?

relacionamento abusivo

Viver um relacionamento abusivo, no namoro e no casamento, no trabalho ou nas relações familiares, traz prejuízos para a vida de qualquer pessoa. Essas relações acabam com a nossa autoestima, nos levam questionar nossa própria sanidade, e podem se tornar uma verdadeira prisão.

Para a maioria das pessoas, o relacionamento abusivo não surge do nada. São meses, ou anos de agressões cada vez piores – desde um comentário maldoso até a violência física ou sexual. Por esse motivo, é difícil traçar uma linha para saber quando a relação se torna insustentável.

Além disso, existem muitas emoções envolvidas em qualquer tipo de relação, e elas não podem apenas ser ignoradas. Quem vê de fora sempre tem uma solução mais fácil, mas para quem vive um relacionamento abusivo a resposta nunca é tão direta.

Pensando nisso, eu reuni tudo que você precisa saber sobre:

  • Como identificar os primeiros sinais;
  • O que leva tantas pessoas a esse tipo de relação;
  • Como saber se ainda há solução, ou é hora de dar um fim;
  • O que fazer para acabar com um relacionamento abusivo.

e-book traços de caráter roxo O que é um relacionamento abusivo

O relacionamento abusivo é uma estrutura baseada em poder, força e controle. Enquanto nas relações sadias cada pessoa entrega um pouco de si, mas possui a sua individualidade, no relacionamento abusivo há uma tendência de que uma das partes seja apagada aos poucos, e sua identidade fique presa à relação.

Esse modo de relação é mais visível entre casais, mas não é exclusivo de namoros ou casamentos. É possível encontrar um relacionamento abusivo entre amigos, pais e filhos, no espaço de trabalho, nas salas de aula, e assim por diante.

Com gestos e palavras, um lado desse relacionamento vai erguer uma gaiola emocional, cercando e prendendo a outra pessoa. Há uma exploração clara da dependência emocional, pois mesmo que a parte abusada tenha condições físicas e materiais de se afastar, algo faz com ela se mantenha na relação.

Tipos de relacionamento abusivo

O relacionamento abusivo possui camadas, com tipos diferentes de agressão e violência. Independente da forma adotada, o abuso serve para controlar a outra pessoa, quebrando ela para que se encaixe na relação. Para o abusador, o objetivo desses atos não é obter prazer, mas controle.

Abusos físicos

É a forma que vemos com mais clareza, porque uma pessoa agride o corpo da outra. Apesar de receber muito destaque, a violência física não costuma ser a base de um relacionamento abusivo. Ela é a ponta do iceberg, mantida por uma estrutura de agressões mais sutis e muitas vezes imperceptíveis.

Abuso sexual

A violência sexual pode ser uma forma de abuso físico, mas também pode acontecer de modo psicológico, por meio de pressões e coerção. Se uma pessoa exige contato sexual afirmando que vai demitir a outra, expor uma informação íntima, ou fazer mal a um familiar, por exemplo, está cometendo um abuso sexual.

Outras práticas desse tipo são ainda mais sutis, quando uma parte da relação faz sexo por medo de perder ou ser traída pela outra, por exemplo. O abuso sexual também pode vir de uma autoridade (líder religioso, médico, etc.) que usa de sua posição para ameaçar ou confundir as vítimas.

É importante deixar claro que o abuso sexual pode ocorrer de várias formas, com toques, beijos e outros tipos de contato. Muitas vítimas podem sentir que não há como impedir essas abordagens, por acreditar que são partes naturais de uma relação.

Abuso verbal

Mais do que um xingamento isolado ou uma discussão, o abuso verbal é uma presença contínua de palavras que desprezam, reduzem e machucam a outra pessoa.

Vítimas desse tipo podem saber que estão sofrendo uma violência, mas aguentam a relação por sentir que isso é melhor do que agressões físicas ou sexuais. Nesse caso, há uma grande chance de que elas tenham presenciado ou sofrido violência doméstica, e tomaram isso como um padrão para medir outras relações.

Essa forma de abuso tende a ser marcada por críticas direcionadas à outra pessoa. O agressor não fala que você errou, ou que não gostou da sua atitude, mas afirma que você não presta, não faz nada direito, nunca ajuda, não tem valor, e assim por diante.

O abuso verbal tende a ser uma base para outras agressões. Quando alguém chega a bater em outra pessoa, por exemplo, é provável que já tenha construído sua teia de controle através de xingamentos ou comentários maldosos, enfraquecendo a autoestima da vítima.

instagram Relacionamento abusivo sutil

Os abusos sutis são os que mais criam dúvidas e estranhamentos. Eles costumam ser comentários que parecem bons na superfície, mas guardam um sentido controlador nas entrelinhas. A outra pessoa não te deixa ir para um lugar, vestir uma roupa ou tomar uma decisão, mas afirma que está fazendo isso por amor – para te proteger, cuidar de você, etc.

Eles geram uma confusão mental, pois a vítima sente que está sendo manipulada de alguma forma, mas não consegue apontar muito bem qual é o problema. Esse estado de dúvida é aprofundado porque todos os seus questionamentos são respondidos por algo do tipo “não foi bem isso que eu quis dizer”.

Sinais de um relacionamento abusivo

Aqui você encontra algumas perguntas, que podem te ajudar a entender melhor se um relacionamento é abusivo ou não. Elas não são uma regra absoluta, mas servem como um ponto de partida para analisar as suas relações!

  1. Quando você está com a outra pessoa, sente que não pode ser quem é de verdade?

Uma boa parte dos seus momentos com ela é marcada por conversas pisando em ovos e tentativas de se controlar para não apertar nenhum botão errado na outra pessoa. Você anula comportamentos da sua natureza, e está sempre com medo de receber uma uma resposta mais agressiva.

  1. Essa pessoa tem comportamentos abusivos?

Ela demonstra alguma das ações que nós acabamos de ver? Faz comentários direcionados à sua identidade, faz piadas que atingem você, sempre tem uma justificativa que confunde a sua mente? Isso ocorreu num momento isolado, ou você tem várias lembranças de situações assim?

  1. Como você reagiu?

O relacionamento abusivo é uma relação de troca, e acontece quando a vítima, por motivos emocionais, não consegue reagir às agressões sofridas. Sendo assim, considere as suas reações diante dos comportamentos abusivos. Você aceitou aquilo sem reclamar, guardando a frustração, ou apontou o que havia de errado?

  1. Se você reclamou, qual foi a reação da outra pessoa?

Ela demonstrou alguma mudança, nem se importou com o que você disse, falou que a culpa pelo comportamento dela era sua ou pareceu que estava mudando, mas logo voltou a agir da mesma forma?

Separe algum tempo para pensar nessas questões. Talvez você tenha uma resposta pronta, mas vá além do primeiro impulso e escute a voz que está lá no fundo. É muito importante responder com honestidade, afinal o seu bem-estar depende disso, e fingir que não está num relacionamento abusivo só vai fazer ele continuar por mais tempo!

mentoria gratuitaO perfil emocional da vítima

Quem está atravessando um relacionamento abusivo, ou conhece alguém nessa situação, sempre repete uma pergunta: porque é tão difícil sair dessa relação? Muitas pessoas simplificam o assunto e dizem que a vítima está com safadeza, gosta de sofrer, ou qualquer coisa desse tipo, mas a verdade é mais profunda e complexa.

Há uma história, uma construção que gera a dependência emocional e coloca as pessoas nessa condição. É por conta dela, inclusive, que muitas vítimas escapam de um relacionamento abusivo, e logo depois se percebem dentro de outro.

Entender o perfil da vítima não é afirmar que ela seja responsável pelas ações do abusador, mas perceber que seus pensamentos e emoções são um terreno fértil para essas ações se desenvolverem. É olhar as razões pelas quais, diante da humilhação ou da agressão, algumas pessoas não se percebem como capazes de reagir.

Quem sofre num relacionamento abusivo costuma sentir um misto de três emoções:

Culpa

A culpa é uma emoção central nas vítimas de um relacionamento abusivo, mesmo que elas não percebam. Essa culpa tende a surgir quando, lá na infância, a pessoa sofre algum tipo de abuso e não encontra apoio de ninguém.

Ela diz para os pais, ou algum outro adulto que respeita, e ouve que está mentindo, ou até mesmo que foi culpa dela – não deveria ser tão respondona, não deveria ter ido na casa do tio, não deveria dançar na frente dos adultos, e assim por diante.

“Não foi minha culpa!”

Essa criança vai alimentar um pensamento: não foi minha culpa, não foi minha culpa, não foi minha culpa. Ela começa a desenvolver a necessidade de que as pessoas confiem na sua palavra e entendam que, de fato, não foi sua culpa.

Quando ela cresce, pode se ver presa em relacionamentos abusivos, e agora ouve as outras pessoas afirmarem que ela não é a responsável por isso. Essa busca, é lógico, não acontece de modo consciente. Ninguém acorda e decide entrar num relacionamento abusivo – mas se pensarmos bem, ninguém decide começar um vício, ganhar excesso de peso ou procrastinar.

O que há em comum entre todos esses casos é a necessidade de um ganho indireto, o desejo inconsciente pela satisfação de uma demanda emocional. É uma força tão poderosa que nos leva pelos caminhos mais tortuosos, com o único objetivo de silenciar uma voz, que nesse caso é a voz da culpa atribuída pelas outras pessoas.

“Foi minha culpa!”

Um outro caminho é o de quem guarda a culpa, mas realmente acha que fez algo errado. Nesse caso, a pessoa vive uma contradição interna: ela sente que cometeu um erro, mas não consegue reparar o acontecimento.

A solução encontrada pelo inconsciente, aqui, é punir a si mesma. Ela pode se manter num relacionamento abusivo por acreditar que merece algo ruim em sua vida, pois só dessa forma estará pagando os “pecados” que cometeu.

Esse tipo de culpa pode vir de várias formas. Muitas crianças se sentem culpadas pelo adoecimento ou morte dos familiares, por exemplo. Outras acham que são responsáveis pela violência que acontece dentro de casa, entre os pais.

São pesos grandes para se carregar, ainda mais na infância, e eles fazem a mente acreditar que o sofrimento vivido num relacionamento abusivo não é apenas normal: ele é justificado.

Vergonha

A culpa é o elemento central no perfil emocional dessas pessoas, mas não é o único. Elas também costumam experimentar a vergonha, sobretudo por não ter visto antes que esse relacionamento era abusivo.

É quando as agressões pioram que muitas vítimas vão perceber as violências verbais e emocionais sofridas desde o começo. A confusão, a incerteza sobre estarem ou não sendo manipuladas, ganha formas concretas diante dos seus olhos. É óbvio que a outra pessoa estava cometendo abusos – mas não era tão óbvio lá atrás.

Quem estava de fora pode ter visto antes, e comentado para alertar. A vítima recusou as opiniões alheias, e quando percebe como os outros estavam certos, a vergonha toma conta de sua mente. Assumir que está num relacionamento abusivo pode ser, aos olhos dela, mais humilhante do que vivenciar as agressões cotidianas.

Medo

Além do medo mais evidente, causado pela violência em si, quem sofre um relacionamento abusivo também guarda o medo da descrença – de falar o que está acontecendo, e ouvir que não é bem assim. Essa ainda é uma realidade comum, com vítimas desacreditadas ou responsabilizadas pelo que vivem, e muitas pessoas evitam enfrentá-la.

Por outro lado, também há o medo de que as agressões piorem após a denúncia – medo de que a outra pessoa, se perceber que está perdendo o controle, use métodos ainda mais violentos para demonstrar sua superioridade.

O abismo emocional do relacionamento abusivo

As emoções que se formam na vítima de abuso emocional não surgem do nada. Elas são como um grande abismo, escavado ao longo dos anos. Tudo começa com alguma dor nos primeiros anos de vida, uma situação que pode ter sido violenta ou mal interpretada, e gerou traumas na criança.

Esse momento é como um filete d’água percorrendo sua mente, separando a pessoa de uma vida equilibrada e saudável. Como lhe faltam recursos emocionais para lidar com a situação, ela continua a ganhar força, e outros eventos ao longo do tempo se somam ao trauma inicial, escavando marcas cada vez mais profundas.

Com anos, ou até décadas desse processo, o abismo entre a vida que a pessoa tem hoje e a vida que mais lhe traria satisfação vai se tornando imenso, fundo e assustador. Ela fica presa de um lado, junto com o relacionamento abusivo e as outras coisas que lhe fazem mal, e talvez já nem consiga ver as possibilidades para além do abismo.

É por isso que parece tão difícil escapar da relação atual – porque o problema não tem a ver com ela. Deixar o relacionamento abusivo significa enfrentar esse abismo, com todos os terrores que ele causa, enquanto a situação que está sendo vivida, mesmo com todos os problemas, ao menos se apresenta como um “mal conhecido”.

Felizmente, existe uma terceira opção: preencher o abismo, ao identificar e cuidar das dores que o criaram e o mantém vivo até hoje, aproximando as duas margens e oferecendo um caminho por onde podemos avançar com mais segurança.

O relacionamento abusivo e os traços de caráter

Para fechar o seu abismo emocional, é preciso entender as origens dele. Imagine que a mente de cada pessoa é como um tipo diferente de terreno. Alguns tipos são mais impactados pela chuva, outros pelos ventos, desmatamento, poluição, e assim por diante.

Esse terreno emocional é formado pelos nossos traços de caráter, um conjunto de características internas que nos leva a ver e interagir com o mundo de maneiras únicas, criando a nossa identidade. Assim como os diferentes tipos de solo, cada traço de caráter possui forças e obstáculos próprios, além de ser mais ou menos impactado por certas experiências.

Tudo isso contribui para uma tendência, maior ou menos, ao relacionamento abusivo.

Aqui nós vamos falar sobre os traços de caráter mais propensos a esse tipo de relação. Você pode entender melhor o assunto para conhecer todos eles, saber como se formam e qual influência tem na personalidade a partir desse artigo:

Traço Oral

Este grupo de pessoas é o perfil mais comunicativo que podemos encontrar – gosta de falar, abraçar, criar artes e pode até chorar demais. Ele possui uma relação muito forte com as suas emoções, tem dificuldade para estar sozinho, e sofre muito com o medo de ser abandonado. Tudo isso contribui de modo acentuado para a dependência emocional, e as chances de viver um relacionamento abusivo.

Além do namoro/casamento, isso pode acontecer em outras áreas da sua vida, como nas amizades. O traço oral pode aceitar comentários maldosos ou brincadeiras de mal gosto, por exemplo, se achar que uma reclamação vai afastar a outra pessoa.

Traço Masoquista

Aqui há uma característica muito forte de segurar os desafios da vida e sofrer em silêncio. O medo desse traço é o da crítica agressiva, da humilhação, e por isso ele não fala muito sobre o que sente ou o que está precisando.

Também é comum o desejo de cuidar e lidar com os problemas alheios, por sentir que aguenta mais do que as outras pessoas. Com esse perfil, o relacionamento abusivo pode vir de todos os lados. Talvez ele seja a pessoa que faz tudo para a família, por exemplo, ou quem fica depois do expediente e segura a barra com o estresse do chefe.

Nas relações de namoro ou casamento, esse traço pode criar a ideia de que está cuidando da outra pessoa, mesmo quando sofre os abusos dela. Ele se sente responsável por fazer o outro mudar, por salvá-lo de alguma forma, e o sofrimento da relação é algo que deve ser enfrentado como uma espécie de provação.

Saiba mais: Traço Masoquista

Traço Rígido

Numa luta permanente para mostrar que é alguém valioso e interessante – para ser visto como a melhor opção – e tem medo de ser trocado por alguém diferente. Dessa forma, sustentar a relação pode ser entendido como uma vitória, sobretudo quando existe a presença ou ameaça de uma terceira pessoa.

Essa visão tende a ser mais comum nos relacionamentos íntimos, mas também pode se espalhar para ambientes como seu espaço de trabalho. Nesse caso, o rígido aguenta mais cobranças e pressões da empresa para mostrar que merece o cargo atual ou uma promoção, por exemplo.

e-book traços de caráter Conheça e proteja suas vulnerabilidades

Entender os traços de caráter é de grande ajuda num relacionamento abusivo, porque o agressor tende a usar suas dores contra as vítimas. Ele descobre e explora as vulnerabilidades da outra pessoa de forma quase instintiva, fazendo pressão onde é mais fácil machucá-la.

No traço oral, por exemplo, há uma abertura para o mundo e um desejo grande por se conectar, mas também pode existir o medo de exagerar e incomodar. Se o abusador percebe isso, ganha uma ferramenta de controle emocional e pode usá-la para quebrar as relações da vítima com outras pessoas, deixando ela ainda mais dependente do seu “amor”.

Para o masoquista, o perigo está no que ele faz de errado. O abusador pode apontar cada erro para fazer a vítima se sentir inferior, por exemplo, ganhando controle pela destruição da autoestima. Além disso, ele vai afirmar que ninguém mais amaria essa pessoa, e assim ela fica presa na relação.

Já o traço rígido gosta de se apresentar bem e conquistar avanços para sua vida. Se o abusador faz ele sentir que é errado se arrumar, ou trabalhar mais para alcançar uma posição, ganha controle ao remover outros caminhos por onde a pessoa ganharia autoestima ou condições materiais para escapar da relação.

Tentando manter o relacionamento, os traços lutam contra sua própria identidade, e vivem com o medo de incomodar, a frustração pela falta de avanço, o vazio de sentir que não merecem amor. Se elas encontram forças para tentar ser quem são, o abusador comete uma nova violência e reforça a ideia de que este é seu pior erro.

Como sair de um relacionamento abusivo

Existem duas formas de acabar com um relacionamento abusivo – criando uma nova relação, mais saudável, ou terminando de vez e buscando novas experiências.

Para transformar um relacionamento abusivo num relacionamento construtivo e benéfico, é preciso ter duas pessoas preparadas e bem intencionadas. As dicas abaixo trazem um guia para você informar a outra pessoa sobre o que sente e o que espera da relação. Elas também revelam as intenções da outra pessoa, para descobrir se ela quer melhorar ou está satisfeita com a relação atual.

Antes de mais nada, saiba que para reconstruir uma relação é preciso estar disposto a acabar com ela. Sem essa disposição, quem abusa sempre vai ter o controle, pois não corre nenhum risco.

Defina seus limites

Ao aprender mais sobre os seus traços, você pode entender o que te machuca, e deixar isso claro para a outra pessoa. Defina seus limites, apontando o que achou de errado sem entrar numa discussão ou troca de acusações. Desse modo, você prepara a outra pessoa, e pode saber melhor quando ela está cometendo um erro normal ou agindo por más intenções.

Coloque e mantenha seus traços no recurso

Quando você reconhece as necessidades dos seus traços de caráter, e cuida delas, é mais difícil que outra pessoa explore as suas vulnerabilidades. A crítica ou a manipulação ainda podem acontecer, mas não terão a mesma influência nas suas emoções.

Cada traço pode viver dois tipos de situação: de dor, ou de recurso.

Quando está na dor, o traço se torna mais vulnerável e aberto às influências negativas de outras pessoas. É nesse momento que a dependência emocional ganha mais força, e o relacionamento abusivo se torna uma possibilidade.

No recurso, o traço fica mais forte e focado em seus próprios pontos positivos, encontrando formas de se satisfazer que não deixem espaço para a dependência emocional. Desse modo, você consegue olhar para o relacionamento abusivo e entender que ele não pode mais existir – não é para isso que você está vivendo!

Para mudar e alcançar o controle emocional, vale muito a pena se aprofundar no conhecimento sobre os seus traços, realizando um processo de Análise Corporal. Por meio dela, você terá acesso a um conhecimento profissional sobre quais são os seus traços, como eles funcionam e o que precisa ser feito para deixá-los numa situação de recurso!

Criar um ambiente de recurso para a outra pessoa

As duas partes de uma relação tem seus traços de caráter, e tudo fica mais fácil quando ambos estão no recurso. Todos nós podemos agir de modo indesejado quando temos alguma dor, e tomamos decisões corretas quando ficamos bem com nós mesmos.

Isso não significa que você tem a obrigação de salvar a outra pessoa ou fazer tudo por ela, ainda mais num relacionamento abusivo. A ideia é olhar para o que você poderia mudar, fazendo a sua parte.

Agir dessa maneira ainda é uma forma de acabar com a sua culpa, por reafirmar que você está fazendo o certo. Quanto mais você caminhar nessa direção, mais terá condições emocionais de confrontar os abusos da outra pessoa, e até mesmo de terminar a relação se perceber que ela não está correspondendo ao seu esforço.

Aprenda a lidar com a culpa

Tomar decisões corretas é um passo nessa direção, mas não é o único. Lidar com a sua culpa envolve um processo de ressignificação – olhar para o passado de uma nova maneira, sem carregar as velhas emoções.

No presente, é preciso acostumar-se com a ideia de que vamos cometer alguns erros, e está tudo bem. Eles não são motivo para ficarmos presos em relações problemáticas, perdendo a nossa autoestima, liberdade e segurança.

Olhar de frente para as nossas responsabilidades, sem fugir ou criar punições por conta delas, é uma maneira de equilibrar as suas emoções e ter mais força para dizer “não” ao que você não merece.

Construa novos referenciais de relacionamento

Uma crença que mantém vários relacionamentos abusivos de pé é a de que poderia ser pior. Você escuta um xingamento ou um grito, passa a se sentir mal por sair com os amigos e tem medo de usar uma certa roupa, mas poderia ser pior se estivesse apanhando.

Pessoas que assistiram atos de violência doméstica tendem a alimentar muito essa crença. O relacionamento dela pode ser imperfeito, mas não é tão ruim quanto o dos pais.

Ter novas referências é o que vai derrubar essa crença. Você não precisa encontrar casais perfeitos, basta que eles sejam bem intencionados e estejam buscando melhorar a relação. Faça novas amizades, siga casais nas redes sociais, vá a passeios e encontros para trocar experiências com outras pessoas.

Essa também pode ser uma forma de preparar melhor a outra parte da relação, se ela estiver mesmo disposta a mudar. Conviver com outras possibilidades vai mostrar como ela pode agir de uma nova maneira, mais acolhedora e menos abusiva.

Avalie com calma

A cada semana, reserve um instante para avaliar de modo calmo e racional o que está acontecendo na sua relação. Sem justificar os comportamentos do outro ou fingir que está tudo bem, se pergunte: As coisas estão mudando? A outra pessoa deu alguma prova de que está se esforçando para melhorarmos a nossa relação? Ainda há algo que eu possa fazer, ou minha parte está cumprida?

Essas questões vão determinar se você deve continuar a jornada de transformação atual, tentar algo novo, ou dar um ponto final para esse relacionamento. No fim das contas, você é quem terá a última palavra, e poderá decidir o melhor para a sua vida!

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